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Há pessoas não ligam para os apelidos, no entanto há aqueles que partem para as “vias de fato” quando os chamam pelo apelido, que muitas vezes é jocoso. Essa eu ouvi de um paraibano, ele contou-me que, há muitos anos atrás, havia um senhor que recebeu o apelido de "garapa". Tal apelido era detestado por esse senhor, certa vez ele estava passando pela praça central, da pequena cidade paraibana, quando alguém gritou:
- Água!
Do outro lado da pracinha uma segunda voz gritou:
- Açúcar!
Garapa então sacou uma garrucha do bolso, engatilhou e respondeu a plenos pulmões:
- Misturem; cabras da peste! Misturem!

Meu tio contou-me que apelidaram um colega de trabalho dele por bandido. Quando o moço soube do apelido foi tirar explicações com meu tio, ele queria saber quem foi o autor da brincadeira, pois com ele seria no braço que se entenderia com o engraçadinho. Titio tentou, sem querer intimidá-lo, mostrar que tal atitude não seria nada amigável, que seria melhor ele "levar na esportiva" e depois os outros poderiam se sair melhor na briga. Mas, bandido respondeu:
- Eles preferem fazer fila ou virem todos de uma só vez? E tem mais, apanhar faz parte da briga.

No sul de Minas um sujeito pediu dois mil e quinhentos cruzados emprestados, no ano de 1986. Comprometeu-se em pagar em uma determinada data. Quando chegou a data de pagar o empréstimo ele chegou para o credor e disse:
- Estou te devendo, mas sei que você tem caso com minha mulher. Pois bem, já falei com ela e ela se propõe a ficar contigo, mas eu preciso de mais dois mil cruzados, você topa?
Os dois se entenderam, ou melhor, os três; ela foi morar com o credor e o outro ficou com quatro mil e quinhentos cruzados no final do caso. Atualmente o comprador e o escambo não moram juntos, mas ainda se visitam, eles tiveram três filhos, hoje já adultos.
Lá em Natércia e Conceição da Pedra, há menos de trezentos quilômetros de São Paulo, tal caso é amplamente comentado por todos.

Eu tenho cinco irmãos e cinco irmãs. Houve uma época que havia uma com 25 anos, com 19, com 18, 16 e a mais nova com 14 anos. Então a rapaziada do bairro nos chamava de cunhado. A Nice tinha 18 anos e trabalhava de recepcionista bem próximo de casa, de maneira que ela ia almoçar em casa todos os dias. Nesse bairro havia um rapaz, o Gilberto nosso vizinho e amigo, que tinha uma irmã e meus irmãos e eu sempre o chamavam, também, de cunhado, para devolver-lhe a brincadeira. Certo dia a Nice voltava para o trabalho quando passou por um grupo de rapazes e o Cristovam, meu irmão estava no meio deles. Todos os rapazes eram nossos vizinhos e amigos. Depois dos habituais cumprimentos, ela já estava se afastando quando ouviu a voz do Gilberto, dizendo:
- Cristovam, ainda vou ser seu cunhado!
A Nice voltou o rosto e respondeu prontamente:
- É mesmo Gil? Quando o Cris começou namorar sua irmã?

Crisógono Martins
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São Paulo, Janeiro de 2011


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Comentários
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dionizio   |IP187.43.209.xxx |11/01/2011 12:00:05
muito bom mas vou te mandar outra que voce pode repassar.
Sônia Suzi Lara Silva  - Risos   |IP187.56.132.xxx |20/01/2011 23:42:22
Gostei muito,voê é um òtimo contador de causos espero que voce continue nos presenteando com esta simplcidade poetica nos transportando para tempos memoraveis atraves do nosso portâo virtual, nos fazendo rir e refletir.
Sônia Suzi Lara Silva  - A Educação no banco dos reus .   |IP187.56.132.xxx |21/01/2011 00:12:28
Acredito na Educação. Sei que o processo é lento porque precisamos nos conscientizar de que isso só será possível quando cada adulto tornar-se um educador. Penso que esta é uma das propostas de Paulo Freire. De onde surgem os Curriclos ensinados na escola ? Ha quem eles servem ? Nossas crianças desdenham da merenda e muitas vezes sabem que ha vizinhos passando necessidades . A familia mudou e com as transformações alguns valores se perderam. Penso que para resgatar esse valores precisamos resgatar a criança que ha em nós para que possamos compreender a criança de hoje informatizada ,informada carentes de regra e de afeto. A Educação esta sempre no banco dos reus e com ela toda a sociedade . Então são as gerações antigas que precisam encontrar uma nova forma para educar as gerações jovens .
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