
Quando eu era rapaz quem falasse tal disparate era ridicularizado por todos. Mesmo nós, os pobres, tivemos oportunidade de ver, ou acompanhar, as viagens do projeto Apolo sendo testemunhas oculares pela televisão, ouvindo pelo rádio ou lendo nos jornais. Tentar argumentar que nada daquilo estava acontecendo era ser alvo de chacota por todos. Os periódicos semanais mostravam as fotos coloridas que chegavam à Terra vindo de nosso satélite. Estas fotos eram esperadas com ansiedade e expectativa pela chegada nas bancas. Todos queriam ver o que o rádio noticiara durante a semana ou de ver em cores as cenas passadas em preto e branco pela televisão. Afinal a chegada à Lua produziu notícias nunca antes divulgadas, ou sequer imaginadas, pela imprensa mundial durante um bom tempo. Não faltaram assuntos, houve o período de preparação, o lançamento, a viagem, a descida triunfal na Lua, o retorno a Terra, o resgate no mar e finalmente a quarentena dos astronautas. As pedras coletadas na Lua foram expostos em várias cidades do mundo durante os meses que se seguiram, entre ela São Paulo, para que nós mortais pudéssemos ver de perto as obras de Deus nunca antes vistas pelo homem em seis mil anos de história. O tempo passou e novas gerações nasceram; hoje há quem ache que o homem não foi à Lua. As justificativas são inconsistentes e evasivas e todas elas são refutáveis por qualquer um que não faltou às aulas de ciências, não assiste somente novelas na televisão. Lê, nos jornais e nas revistas, artigos sem serem apenas os horóscopos ou as fofocas da vida artísticas. Há quem justifique afirmando que naquela época não havia a tecnologia de hoje, e citam um exemplo de como os americanos iriam fazer a transmissão das imagens usando as obsoletas válvulas naquelas enormes câmaras? Bem, a tecnologia que hoje nos serve foi implementada ou criada visando fazer o homem pisar na Lua. Até os modernos exames laboratoriais, de hoje, também foram desenvolvidos visando monitorar daqui da Terra o organismo dos astronautas lá no distante espaço. Como era impraticável enviar um profissional médico junto com a missão e também se desconhecia os efeitos da reação do organismo humano em pleno espaço cósmico, foi mais prudente monitorar nossos heróis daqui da Terra. Porém, não havia tal tecnologia disponível na época, então primeiro o homem teve que criar os meios, isto é a tecnologia, para só depois poder enviar com segurança os homens ao espaço. Quando as viagens à Lua foram encerradas as empresas que desenvolveram todo o avançado aparato acabaram por popularizar os novos inventos para o bem de todos e, principalmente, para amortizar todo o alto investimento que elas tiveram durante as pesquisas nos anos sessenta e setenta. Enumerar quais produtos que saíram das pranchetas da Nasa e das empresas envolvidas e que hoje fazem parte de nosso dia a dia será tempo perdido. Talvez muitos desavisados por acharem comum termos a tecnologia já banalizada, no bom sentido, em nosso derredor achem que tudo nasceu do nada; esquecendo que a necessidade é a mãe de todas as invenções. No caso específico da conquista espacial as necessidades foram muitas e a cada solução encontrada aparecia outro desafio ainda maior a ser vencido; e foram vencidos. Hoje todas aquelas soluções nos tornaram tão comuns que hoje as usamos de maneira automática e sem imaginar naquelas várias dificuldades vencidas pelos sábios. Se hoje os compact discs, DVDs, imagens em MPEG, as transmissões digitais, eletrocardiogramas, os chips, fornos de micro onda, celulares, entre tantos outros, passaram a incorporar e facilitar nossas vidas de maneira automática, nós não podemos olvidar da conquista espacial pela civilização humana. Crisógono Martins email:
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